A história da 13 de Maio está profundamente ligada às manifestações religiosas que compõem a paisagem curitibana a partir da segunda metade do século XIX. Boa parte de seus fundadores e primeiros associados integravam, também, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, que ergueu, entre os séculos XVIII e XIX, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, localizada na Rua Trajano Reis, 14, no Alto São Francisco.
Realizados desde os primeiros anos de fundação, os festejos organizados pela sociedade no dia 13 de maio tinham por objetivos não apenas comemorar a data que libertou oficialmente os escravizados no Brasil, mas também dar visibilidade à comunidade negra perante a sociedade curitibana.
Desde a construção da sede do Clube Treze em 1913, tradicionalmente é realizada a celebração de uma missa na Igreja do Rosário, seguida de um cortejo até a Rua Colombo (atual Clotário Portugal), em sua interseção junto a Rua Princesa Izabel, ponto no qual se mantém edificada a Sociedade Operária Beneficente 13 de Maio.
Realizados até os dias atuais e sempre no dia 13 de maio, esses festejos evocam não apenas a orientação católica dos associados da Treze, mas também certo sincretismo, refletido em uma religiosidade popular singular à sociedade. Ao ingressar no prédio, percebemos diversos marcos e signos que manifestam traços religiosos no espaço, como um pequeno altar com a figura de um Preto Velho que recebe os visitantes que adentram a antessala do salão principal, evocando o reconhecimento e o respeito às religiões de matriz africana de seus frequentadores, servindo também como entidade protetora do local.
Para além disso, uma personagem que figura no imaginário popular e religioso de Curitiba e também da Treze é Maria Bueno, cuja identidade negra é constantemente invisibilizada. Brutalmente assassinada no ano de 1893, pela tradição oral contam-se histórias de que Bueno, grande amiga da liderança feminina negra Sebastiana Garcia, não apenas era uma frequentadora dos bailes da S.O.B. 13, como também foi velada na sede da sociedade.
Popularmente, elevou-se ao status de “santinha de Curitiba”, fazendo de seu túmulo um dos mais visitados do cemitério municipal. O atual presidente da 13 de Maio, Sr. Álvaro, nos conta que pediu à Maria Bueno que intercedesse perante a urgente reforma a qual a sociedade necessitava, prece esta que foi atendida e entregue pela Prefeitura Municipal de Curitiba no início dos anos 2000.