Árvore genealógica da família Moreira de Freitas: raízes profundas e resistência ancestral
A árvore genealógica da família Moreira de Freitas foi concebida tendo como inspiração a araucária, também conhecida como Pinheiro-do-Paraná. No banner que a ilustra, essa árvore aparece em segundo plano — uma sombra discreta, porém carregada de significado. A escolha não é apenas estética: a araucária é símbolo de resistência e longevidade, podendo viver entre 300 e 400 anos. Assim também é a trajetória da história da família Moreira de Freitas, marcada pela resiliência diante de adversidades e pela presença contínua no território paranaense desde, pelo menos, o século XVIII.
A ancestral mais antiga da qual se tem notícia é Catarina de Almeida. Pouco se sabe sobre sua vida, exceto que foi mãe de Maria Ignez de Freitas, nascida em 1788. Maria Ignez faleceu em 1878, aos cerca de 90 anos, já liberta. Natural de Curitiba, exercia a profissão de doméstica e teve duas filhas: Apolinária Maria do Espírito Santo e Mathildes Maria do Espírito Santo (MENDONÇA, 2020).
Mathildes foi escravizada por João José de Freitas. Em 1869, ainda figurava como escrava em seu inventário, descrita como “preta”, com 25 anos, e avaliada em um conto de réis. Faleceu em 18 de agosto de 1884, deixando dois filhos: Celestino e Vicente. Este último foi batizado em 19 de julho de 1857 como escravo de João José de Freitas. Em 1884, aos 27 anos, Vicente obteve alforria pelo Fundo de Emancipação, estando então sob domínio de José Moreira de Freitas, provavelmente herdeiro do antigo senhor.
Antes mesmo de sua libertação formal, Vicente casou-se, em 1883, com Olympia, uma mulher de origem indígena. Dessa união nasceram Antonia, Leonídia, Palmyra, Maria da Luz, Vicentina, Vicente Júnior e Mário. Todos herdaram o sobrenome “Freitas”, que já era utilizado por seus ascendentes há pelo menos um século. Vicente acrescentou o sobrenome “Moreira” em referência a seu último senhor.
Os filhos de Vicente e Olympia
Mulheres e homens pioneiros e engajados, os filhos de Vicente e Olympia destacaram-se nos primeiros anos do século XX.
Antonia casou-se com Orestes Munhoz de Souza Ribas, filho de Hilário Munhoz, um dos fundadores da Sociedade 13 de Maio, e faleceu jovem, em 1905, aos 26 anos.
Leonídia era professora e residia no Rio de Janeiro (então Capital da República), onde faleceu em 1946. Em 1903, presidiu o Grêmio Guayra, uma associação feminina da qual sua irmã Maria da Luz, também professora, era oradora.
Maria da Luz, nascida em 1887, casou-se em 1908 com Francisco Machado de Menezes.
Palmyra destacou-se como oradora oficial da Sociedade 13 de Maio, sendo constantemente elogiada por sua eloquência nos eventos sociais divulgados pelos jornais da época. Casou-se com Antonio Tristão Monteiro, funcionário do jornal O Dia.
Vicente Moreira de Freitas Júnior, o primogênito de Vicente, nasceu em 1894, mas faleceu prematuramente em 1924.
Vicentina de Freitas, também professora, casou-se com o colega de profissão Adolpho Brito, com quem teve dois filhos: Vicente e Moacir.
Ainda sobre o ramo Brito, Ruy Brito casou-se com Lígia e tiveram dois filhos: Ruy Brito Júnior, que reside no Havaí (EUA), e André Luiz Brito, empresário também residente em Curitiba, casado e pai de uma menina.
Mário Moreira de Freitas e sua descendência
O filho caçula de Vicente e Olympia, Mário Moreira de Freitas, nasceu em 1896, em Curitiba. Mário teve uma participação ativa nos clubes associativos da época, como a Sociedade 13 de Maio, a Sociedade Protetora dos Operários e, posteriormente, integrou a União dos Homens de Cor do Brasil – Seção Paraná. Em 1946, na sede da Sociedade 13 de Maio, onde ocorriam as reuniões da UHC, Mário foi convidado a presidir a entidade no estado do Paraná. Embora honrado com a indicação, ele justificou e declinou do convite. Como servidor público, trabalhou nos Correios e Telégrafos do Estado do Paraná até se aposentar. Casou-se com Nair Barcellos de Freitas, com quem teve cinco filhos:
Vicente Moreira de Freitas Neto
Este percurso genealógico, embora incompleto, como toda memória viva, é uma tentativa de honrar os nomes, gestos e silêncios que nos trouxeram até aqui. Cada ramo, cada folha, cada raiz revelada nesta árvore é um convite à escuta do tempo — tempo que pulsa nas trajetórias de luta, afeto e reinvenção que marcam a história da família Moreira de Freitas. Assim como a araucária, seguimos de pé, firmados no chão da memória e com os olhos voltados ao horizonte, conscientes de que a força de uma árvore está tanto em suas raízes quanto na esperança de seus frutos.
Nei Luiz Moreira de Freitas
Curador